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Cultura

Legado da Revolução Farroupilha: a influência da luta gaúcha pela liberdade


O ano de 2025 marca os 190 anos da Revolução Farroupilha. Celebrar esta data de grande relevância para a nossa história e identidade na exata dimensão de tudo que o 20 de Setembro representa, é manter viva a memória do que foram aqueles dez anos de lutas. Da mesma forma, é seguir propagando o grito por independência dos Farroupilhas, fazendo ecoar, assim como foi no século 19, muito além do solo gaúcho.

A história mostra que os ideais de liberdade diante de qualquer tipo de opressão ultrapassaram as fronteiras da República idealizada por Bento Gonçalves (1788 – 1847), José Gomes Jardim (1773 – 1854) e Antônio de Sousa Netto (1803 – 1866). Basta ver que inspiraram a tomada do poder em Santa Catarina e impulsionaram movimentos também na Europa.

No exemplo mais conhecido e próximo, os catarinenses foram diretamente incentivados pelo movimento nascido em 1835, na então Província de São Pedro. Mais que isso, os rebeldes levaram a guerra até o estado vizinho.

Conforme destaca o professor do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Cesar Augusto Barcellos Guazzelli, os Farroupilhas necessitavam de acesso portuário, o que motivou a invasão de Laguna, no litoral catarinense.

“Desde a retomada da Capital Porto Alegre pelo Império (15 de julho de 1836), os Farrapos passaram a depender de Montevidéu (Uruguai), e não seria racional depender de um porto estrangeiro indefinidamente. Como não foi possível controlar o porto de Rio Grande, o que exigiria tomar junto as cidades de Pelotas e São José do Norte, fortemente guardada pelos Imperiais, surgiu o plano de tomar Laguna”, resume.

A conquista da cidade catarinense é um capítulo a parte no levante gaúcho, tido como épico por envolver a construção de dois barcos - Farroupilha e Seival – o transporte por via terrestre até o rio Tramandaí, partindo de Capivari, até alcançar o mar aberto sem que fossem interceptados pelas tropas imperiais. Tamanha bravura, ainda que apenas o Seival tenha alcançado a meta, acabou por ganhar a adesão dos moradores daquela região.

Como resultado, a República Juliana, oficialmente República Catarinense Livre e Independente, foi proclamada em 22 de julho de 1839. Partiu de David Canabarro (1796 – 1867), que comandou a invasão por terra, a declaração da independência, formando uma confederação com os Rio-Grandenses.

“A metade sul de Santa Catarina, por estar mais próxima, já era naturalmente simpática ao movimento, e a população de Laguna apoiou a invasão e adotou a causa”, explica Guazzelli.

Este importante episódio patrocinou o surgimento de Ana Maria de Jesus Ribeiro, a Anita (1821 – 1849), que se juntou a Giuseppe Garibaldi (1807 – 1882) na luta revolucionária também no Velho Continente. Os dois tiveram importante papel no processo de unificação da Península Itálica entre a segunda metade do século 19 e que terminou em 1871 dando origem à Itália como a atualmente conhecemos.

Fonte: Correio do Povo


Data: 20/09/2025 17:03:13
Autor: Rádio Sarandi